José Godoi & Lian Godoi

China é um país colorido, formado de vários povos. Normalmente quando nos referimos ao povo chinês, estamos falando do povo Han. No entanto, na formação dessa grande nação podemos nominar até 550 povos e línguas diferentes. Com tamanha riqueza de culturas, torna-se fácil apaixonar-se. Ao mesmo tempo, fica claro e iminente o dever de aceitar o desafio de ver o Reino de Deus crescer naquela região.

A China tem uma história milenar. O Confuncionismo, Taoismo e o Budismo formaram a mentalidade tradicional, que ainda hoje influencia o modo de vida do chinês, mas a riqueza de povos fez com este país se tornasse um mosaico de culturas, onde a diversidade produziu sofisticação e complexidades nem sempre vistas em outros lugares. Foram eles que inventaram o papel, a bússola, a pólvora, dentre outras coisas. Há pouco mais de 60 anos atrás a China tornou-se comunista. Naquele momento, o governo não podia ignorar distinções étnicas, mas, mesmo assim, acabaram por dividi-los em somente 55 etnias minoritárias. Tal catalogação foi realizada no intuito de unificar a nação, mas deixou fora coisas importantes.

O movimento cristão na China tem uma historia de séculos para ser contada. Destacaremos dois personagens. O primeiro é o Padre Jesuita Matteo Ricci, um dos primeiros missionários da Igreja Católica Romana, considerado o fundador das missões católicas modernas. Hudson Taylor, a segunda figura chave para o avanço do cristianismo, foi um missionário Protestante, fundador da China Inland Mission (CIM), hoje OMF. Houveram muitos outros, mas queremos citar estes dois porque ambos são conhecidos pelo profundo conhecimento do idioma, alto grau de relacionamento com a cultura e a elaboração de estratégias concretas para a região. Estas características são importantíssimas para o missionário transcultural que deseja desenvolver um trabalho profícuo e duradouro.

A realidade atual dos cristãos é muito diversa no país e deve ser analisada, num primeiro momento, sob três diferentes prismas: o das grandes cidades, o do interior e o das minorias, pois têm realidades sociais e dificuldades de acesso a recursos diferenciadas. Podem também serem vistos como os da igreja oficial e os da igreja nas casas, pois têm diferentes “liberdades” e comprometimentos. Podemos, ainda, percebe-los entre os cristãos que pertencem a igrejas enviadoras de missionários e os que encontram-se em locais de necessidade do recebimento de missionários.

A realidade que importa nos concentrar acima de tudo é a de que a igreja do Senhor Jesus está crescendo na China. Não queremos firmar números, mas o crescimento é visível e sem precedentes na história mundial. Um exemplo concreto da mobilização cristã na China foi a realização, em outubro de 2015, de encontro com mais de 900 líderes chineses para a criação da “Mission China 2030”, cuja visão é justamente a mobilização e o envio de mais de 20.000 missionários chineses até 2030.

De fato, podemos perceber varias organizações internacionais e nacionais intencionalmente trabalhando juntas para o crescimento do Reino. Mesmo assim, iniciamos o ano de 2016 com mais de 150 povos não alcançados – PNA. Temos por volta de 90 trabalhos de tradução da Bíblia acontecendo simultaneamente, com a necessidade de iniciarmos imediatamente mais de 60 novos projetos de tradução. Além disso, existem um sem número de igrejas solicitando pessoas com experiência no trabalho com crianças, jovens casais e outro ministérios. Mas, com certeza, a maior necessidade é a formação de lideres à semelhança de Cristo.

Podemos e devemos enviar missionários à China. No entanto, acima de tudo, nossos vocacionados precisam entender que é o Espirito Santo quem os está enviando. O preparo deve abranger o estudo teológico/missiológico, o aprendizado linguístico, dentre outros, mas, sobretudo, o vocacionado precisa se comprometer com o aprendizado continuado, se é que deseja comunicar o evangelho no ambiente de uma cultura e língua milenar.

A igreja Brasileira está sendo convidada a participar deste grande momento da historia da igreja chinesa. Mais do que isso, está sendo convidada a participar da expansão do Reino de Deus na Ásia. Oremos especificamente para entendermos o desejo de Deus para a igreja brasileira.

Obs.: Este texto foi originalmente publicado na Revista Povos e Línguas.