Princípios para Formação da Liderança

Princípios para Formação da Liderança

Por Leandro Tinoco

Introdução

Vivemos numa época em que profundas mudanças estão acontecendo em todos os espaços do viver humano. Essa época tem sido costumeiramente chamada pós-modernidade, embora o termo ainda careça de definição e até mesmo de uma ampla aceitação.

Essa pós-modernidade tem se caracterizado, dentre outras coisas, por um abandono dos velhos padrões. A tendência da sociedade tem sido a de se comportar e pensar de forma indiferente em relação ao passado e suas construções de significados e conceitos.

Queremos recriar tudo a partir de nossa experiência, que tem sido baseada na vitória da técnica e da tecnologia sobre a reflexão e a essência. Ou seja, a superficialidade é a pedra de toque de nosso tempo.

A igreja muitas vezes tem sido vítima de sistemas que ela ainda nem compreende e nem mesmo se esforça para isso. A história poderia ser diferente se ela buscasse uma compreensão mais aprofundada de seu momento histórico para poder agir de fato como um “sujeito histórico”.

Francis Shaeffer dizia que toda mudança na forma de se ver e pensar a vida tem começado na filosofia (academia), passando em seguida para arte, música, cultura geral, e, por fim, teologia (igreja). Ou seja, “a igreja tem sempre chegado atrasada na festa”, como se costumava ouvir pelos corredores dos encontros de pastores e líderes há algum tempo.

No entanto, ainda que não entenda seu tempo ela não tem ficado de fora da “onda” do momento. Ela também tem proposto a quebra de paradigmas e tem reinventado a sua forma de ser. Mas, conquanto a busca por uma experiência contemporânea seja algo necessário, pois cada geração precisa dar suas próprias respostas aos desafios de seu tempo (Atos 13: 36), caso a igreja não fique atenta às influências que têm recebido, poderá vir a negociar o inegociável e esvaziar o evangelho de seus conteúdos mais caros.

Sabemos que onde não há profecia o povo se corrompe, portanto, pensar a liderança da igreja parece ser central neste exercício de se entender o próprio tempo e propor ações conscientes e coerentes com sua missão. Como disse Gustavo Gutiérrez, “uma boa teoria produz uma boa prática.” O problema é que uma parte considerável da igreja tem sacado sua definição de liderança do contexto empresarial, que está na moda, e não do exemplo dos personagens bíblicos, em especial Cristo, e nem mesmo dos exemplos históricos que temos a nossa disposição.

Desta forma este trabalho propõe a definição de liderança para Igreja como liderança espiritual, que é influenciar pessoas a se manterem atentas a Deus, copiando o exemplo de Cristo em suas vidas. É espiritual porque só pode acontecer como resultado das influências do Espírito na vida do líder. O foco deve estar nos relacionamentos e não na atividade ou no evento.

Diante desse quadro o compromisso da igreja e de sua liderança deve ser o de liderar o povo de Deus, seja qual for seu espaço de influência, entendendo seu próprio tempo e sendo relevante em sua vivência missionária em sua própria geração.

Pautar a liderança seria pautar toda a igreja, ou dizendo de outra forma, pautar a liderança seria pautar a visão e a construção da prática da igreja. Mudanças significativas no pensamento e na ação da liderança causarão um impacto sobre toda a percepção da missão da igreja no mundo hoje.

By |2018-02-27T15:54:32-03:00Segunda-feira, Fevereiro 22nd, 2016|Artigos|0 Comments

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